Pesquisa sobre DNA utilizará carta de Mary Stuart

Postado por Staff PRBR

A carta que Mary, Rainha da Escócia escreveu pouco antes de sua execução será usada para contribuir com o desenvolvimento de um sistema que pode revolucionar a maneira pela qual dados são armazenados.

A Biblioteca Nacional da Escócia está trabalhando com o grupo da Universidade de Edimburgo, fornecendo o texto icônico da carta – escrita apenas horas antes da execução em 1587 – para ver se esse texto pode ser armazenado e recuperado com sucesso usando DNA. O texto escrito é convertido em sequências moleculares curtas que, em teoria, podem ser armazenados com segurança durante séculos de forma estável e mais barata do que a tecnologia existente.

O projeto de pesquisa deve ser inserido na competição biologia sintética iGEM de Boston em Outubro.

A carta foi a última da vida de Mary, endereçada ao seu cunhado Henry III da frança.

A tradução da carta a seguir é de autoria do site Rainhas Trágicas.

“8 de fevereiro de 1587

Para o rei mais Cristão, meu irmão e antigo aliado,
Irmão Real, tendo a vontade de Deus, pelos meus pecados eu penso, me jogado para o poder da rainha minha prima [Elizabeth I], em cujas mãos eu sofri muito por quase vinte anos, finalmente fui condenada à morte por ela e seus ministros. Eu pedi pelos meus papéis, que haviam sido tirados de mim, a fim de que eu possa escrever a minha vontade, porém, tenho sido incapaz de recuperar qualquer coisa que me seja útil, ou mesmo obter permissão de sair, seja para fazer a minha vontade ou para ter meu corpo livremente transportado depois da minha morte, como eu gostaria, para o vosso reino, onde tive a honra de ser rainha, vossa irmã e velha aliada.

Hoje à noite, depois do jantar, fui informada da minha sentença: eu serei executada como uma criminosa às oito da manhã. Eu não tenho tempo para lhe contar tudo o que tem acontecido, mas se vós escutar o meu médico e meus outros infelizes servos, saberá a verdade e como, graças a Deus, desprezei a morte e como me encontro inocente de qualquer crime, mesmo se eu fosse sua súdita [de Elizabeth]. A Fé Católica e a afirmação do meu Direito Divino à coroa inglesa são as duas questões pelas quais eu fui condenada, e mesmo assim não estou autorizada a dizer que morro pela religião Católica, por causa do medo da interferência deles. A prova disso é que levaram embora o meu capelão e, apesar de ele ainda estar no edifício, não tem permissão para vir e ouvir a minha confissão e ministrar o Último Sacramento, enquanto eles têm sido bem insistentes em que eu receba o consolo e instrução do seu ministro, trazido aqui de propósito. O portador desta carta e seus companheiros, a maioria deles vossos súditos, irão lhe testemunhar minha conduta nas últimas horas. Resta-me implorar a Sua Cristianíssima Majestade, meu cunhado e velho aliado, que sempre professou seu amor por mim, que me dê agora prava de vossa bondade nesses pontos: em primeiro lugar pela caridade, que pague aos meus infelizes servos os salários que lhes são devidos – este é um fardo da minha consciência que só vós poderá aliviar: além disso, que orações sejam oferecidas a Deus por uma rainha que carregou o título de a Mais Cristã, e que morre como uma católica, despojada de todos os seus bens. Quando ao meu filho, eu recomendo-o a vós na medida em que ele merece, pois não posso responder por ele. Tomei a liberdade de vos enviar duas pedras preciosas, talismãs contra a doença, confiando que vós desfrutareis de uma boa saúde e uma vida longa e feliz. Aceite-as de vossa adorada cunhada que, na morte, vos dá testemunho de seus sentimentos. Novamente, eu recomendo-vos meus servos. Dê instruções, se isso for do vosso agrado, para a salvação da minha alma, que parte do que vós me deveis seja pago, e que pelo amor de Jesus Cristo, seja deixado àqueles que lhe contarão como morri o suficiente para realizar missas em minha memória e as costumeiras esmolas.

Quarta-feira, duas da manhã

Vossa mais amada e verdadeira irmã.

Mary R.”

Fontes: Celebrate Scotland | Rainhas Trágicas